O sangue de irmão nas veias dum amigo

05:50

Sento-me e sonho como quem está acordado.
Tinha 17 anos. Era jovem adolescente.
Pensava demasiado, tinha medo de falhar.
Talvez por isso falhava tanto.
Mas sempre me diziam que era demasiado duro comigo.
Exigia de mim mas era pouco disciplinado.
Sempre fui paradoxal como se a minha mente estivesse desconectada do coração.
Lembro-me que queria tanto sentir as coisas e cá dentro apenas sentia pensamentos analíticos a avaliar tudo com uma grelha a rondar a pontuação máxima.
Agora vejo que era escravo dos pensamentos, grande parte deles derrotistas.
Ansioso pela ansiedade de não ser bom, desejando ser sempre ótimo.
Sentindo insuficiente a qualidade das palavras. Aí descobri o humor.
É uma maravilhosa arma de disfarce. Tudo se defende, tudo se esconde.
E sofre-se desse sorriso quotidiano. O síndrome do palhaço triste desventra o sentido de existência ao ponto de não se saber o que acontece dentro.
Nestes dilemas, algo cresce e fortalece. As amizades.
Sempre fui abençoado em pessoas. Em poucos anos de vida vivi muito.
Aos 12 anos acordava todos os dias junto a 80 adolescentes bem dispostos e aventureiros.
Aos 15 anos dez deles eram irmãos de jornada. Conheciam-me melhor do que a minha família.
Aos 17 anos tinha a certeza que permaneceriam para sempre na minha vida.
Posso não estar todos os dias com eles. Não é necessário. 
É uma espécie de telepatia numa linguagem fundada nos valores do respeito e lealdade.
Abraço a todos e a cada um. Grato, para sempre.
Do vosso sempre amigo/irmão,

A.S.
Quando a amizade se constrói e solidifica.
2005. Praia da Barra, Aveiro 

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