A revolta do Monstro que vive dentro de ti

03:43


Era uma vez ... 

Um monstro chamado Haxixe, este vivia num bosque escuro e perigoso no meio da selva do Amazonas. Partilhava habitat no meio de jibóias, crocodilos e leões. 
Ele tinha sido abandonado pela mãe e pai quando ele tinha apenas dois anos. Disseram-lhe que tinham de ir a uma terra distante buscar alimentos e que depois voltariam. Passaram doze anos e ainda não tinham regressado. 
Todos os dias ele ia junto ao caminho mais largo onde viu os pais pela última vez. Em vão. Nos últimos dias ele já vai desanimado com a certeza que é estúpido continuar a acreditar. Passa o dia sentado numa pedra a olhar para o vazio enquanto mata todos os animais mais fracos que se atravessem no seu caminho. 
Deixou de ter sentimentos e como já é um monstro pensa que isso dá-lhe moral para aterrorizar ainda mais as pessoas. Os animais têm muito respeito por ele. Todos desviam o olhar porque sabem que o monstro não gosta que o olhem nos olhos. Isso seria terrível porque ele não admite esse desafio, ainda por cima ele é o dono daquele lugar escuro. É o rei de todos. Não tem amigos nem família porque todos têm medo dele. 
À noite ele passeia pela floresta e vê as casas dos outros animais mais fracos, todos a sorrir e a cuidar um dos outros, parecem felizes. O monstro como não pode chorar porque é proibido o rei chorar começa a partir tudo e as famílias dos animais mais fracos vão logo dormir com medo. O monstro não aceita pessoas felizes. É como se estivessem a gozar com ele apesar de ele no fundo saber que eles não tinham culpa pela sua má sorte. 
Ontem apareceu na floresta um animal novo e vive no topo duma árvore. Ele passa o dia a cantar e a olhar as estrelas à noite. Dizem que é maluco. O Monstro anda curioso porque ele quer mostrar-lhe que é o rei dele e ele não se parece importar com isso. Será que ele não vai sentir medo? O Monstro começa a pensar que afinal não é rei de todos só daqueles que estão lá em baixo na escuridão. 

O que haverá lá em cima?

Pedreira de Alpendurada - refúgio do monstro

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2 comentários

  1. A nossa força interior é incrível.... muitas vezes nem nós percebemos que ela vive dentro de nós. Quando a deixamos sair para o exterior é inacreditável, é meiga mas perspicaz, não quer ser rei mas ganha, simplesmente porque não tem medo de chorar, rir, brincar, contemplar.... só quer ser ela mesma a Força...

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  2. Podemos pensar na velha máxima: “se pudesses escolher entre ser o pior inimigo de Deus ou não existir de todo o que escolherias?”. Mais uma vez voltamos aos processos de construção da identidade. “Quem sou eu? Onde é que eu sou respeitado. De que forma é que eu sou respeitado? Como é que eu sou alguém? Se aqui, neste bosque escuro e perigoso eu sou alguém, porque haverei de subir ao topo da árvore e ver a luz? Lá, no topo da árvore eu não sou ninguém!”
    A teoria geral do sujeito autopoiético interpreta o sujeito enquanto objeto e ator social; produto e produtor do seu percurso de vida e da sua história pessoal. Aplicada à teoria dos sistemas esta teoria propõe que o sujeito/sistema tem capacidade de se autorregular e ajustar ao meio através da significância atribuída às suas vivências. Se pegarmos neste caldo teórico e o adicionarmos à teoria da transgressão conseguimos ver neste "monstro da floresta" uma posição de significação transgressiva solitária: “Eu consumo drogas e cometo crimes porque foi este o projeto de vida que eu escolhi. Por aqui encontrei vantagens que não encontrei em outros projetos de vida. Porque aqui eu sou alguém. Porque é melhor terem medo de mim do que me ignorarem.”

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