Eu sei que não me conheces

02:17



Às vezes não sei como – ou o que – me sinto. Tento olhar para trás e perceber porquê que a minha vida teve este rumo. Não chego a conclusão nenhuma. Há dias que acordo e me sinto iluminado: o dia está bonito, as pessoas estão simpáticas e eu até estou bem-disposto.  Mas depois há aqueles dias...aqueles dias que acordo na escuridão, num corredor sem luz, que tento percorrer apalpando a parede. Mas falta-me a força e sento-me cansado – muito cansado – e fico ali, à espera. Não sei bem do que – ou de quem – mas não me mexo, só quero que a luz chegue. Faz-me lembrar momentos passados, que fumava alguma coisa para me aliviar a dor que não sabia de onde vinha e ficava ali, à espera que a dor passasse. Mas ela voltava – e eu também voltava a consumir. Como numa espécie de batalha, mas desigual: a vida só me dava empurrões para eu andar para a frente, mas eu não tinha força – nunca me tinham ensinado a ter força de andar em frente – então sentava-me e resolvia as coisas da forma que achava melhor. Não tinha consciência que podia ter chegado ao estado que cheguei. Estava sozinho, afastava de mim quem mais gostava de mim. E fizeram bem em se afastar, só os magoava. Mas agora olho para trás e não sei se me arrependo. Não sei. O que sou hoje deve-se ao meu passado. Talvez, para chegar aqui, eu tivesse de passar pelo que passei. Tivesse de chegar ao meu limite, sozinho, e perceber que não podia continuar agarrado a uma parede, num corredor sem luz. Agora os dias de luz são mais que os dias de escuridão e nesses dias – os mais escuros – procuro forças no que passei, para me levantar e seguir o meu caminho. Todos os dias são lutas e se eu cheguei aqui, não posso desistir. Às vezes desço dois degraus, mas quando subo, subo forte – e seguro! – de que não voltarei a descer. Agora sei que sou responsável pela minha vida, pelo que sinto, pelo que faço. Agora sei que aquilo que os outros me dão! Agora sei que a vida não pode ser um círculo e, por isso, se eu não mudar a direção, terminarei exatamente de onde parti. Agora sei muita coisa.... Mas também desconheço umas quantas outras. Não sei se um dia alcançarei o meu sonho, não sei se um dia deixarei de ter dias escuros. Não sei se vou conseguir ter uma família que me ame. Não sei se vou ensinar aos meus filhos aquilo que não me ensinaram – e aquilo que não quis aprender... Não sei... mas sei e muito bem, para onde não quero voltar. Mereço mais que isso, mais que aquela vida...E ninguém pode fazer mais por mim mesmo que eu próprio.

                                                                                                                                          Silvana Oliveira
                                                                                                                                    Criminóloga



Apreciar a luz depois da escuridão;
a luz vem de dentro de ti;

A felicidade é uma questão de luz;
Caminha na procura da luz;

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